terça-feira, 3 de julho de 2012
Origem do 1%
Fonte: Moto Clube Heaven and Hell
A origem do 1% e dos MC´s "Outlaw"
Moto Clube
O primeiro moto clube que se tem em registro foi o Moto Club do Brasil, fundado em 1927 e que era sediado na Rua Ceará no Rio de Janeiro, tido como um berço do motociclismo brasileiro e que até hoje é frequentado por muitos amantes das duas rodas, inclusive por nós do Heaven and Hell MC.
O moto clube mais antigo no mundo que se tem notícias é o Moto Clube de Campos/RJ, fundado em 1932. Se o moto clube continuou operante esse tempo todo é outra história.
Nos EUA, segundo a AMA (American Motorcyclist Association, Associação Americana Motociclística) o moto clube mais antigo é um clube formado por mulheres, o Motormaids. A AMA reconheceu a sua associação em 1940, mas o Outlaw MC reivindica esse status de moto clube mais antigo dos EUA com fundação em 1936. A AMA não concedeu esse status, pois o Outlaw MC mudou o nome duas vezes até ser reconhecido oficialmente como Outlaw MC.
A AMA (American Motorcyclist Association, Associação Americana Motociclística) foi fundada em 1924 nos EUA como um braço de organização dos Fabricantes de Motocicleta e, principalmente, apoiado pelos principais fabricantes de motocicletas para promover a motocicleta nos Estados Unidos. Ela sancionava grupos de pilotos da mesma área que pilotavam juntos como “moto clubes”. Alguns usavam roupas completas combinando e alguns com o nome de seu moto clube costurado nas costas de suas camisas e jaquetas.
Em eventos, a AMA dava prêmios para o clube mais bem vestido de modo que este foi o início dos patches de moto clube.
Como os patches dos moto clubes são reconhecidos hoje:
• Patch de uma peça, normalmente significa um clube de família ou moto clube social.
• Patch de duas peças pode ter muitos significados diferentes, desde que seja feito com respeito aos clubes área.
• Patch de três peças, normalmente significa que o clube é um clube tradicional MC. Com o patch do topo sendo o nome do clube, o meio sendo o seu brasão e no fundo é o território que eles existem.
Só que no Brasil isso não funciona assim. Cada MC novo que aparece, sem entender da história e também não procurando dados para criar seu MC resolvem fazer o que acha bonitinho. Eu reconheço isso como apenas um bordado nas costas, nada mais.
O Heaven and Hell MC segue uma linha tradicional. Antes de fundar o clube eu pesquisei muito, conversei com diversas pessoas do meio tradicional, não foi de um dia para o outro como muitos fazem. Nós fomos aceitos e aprovados pelo MC dominante local, como manda a tradição.
O MC tradicional é aquele que adere aos protocolos e tradições estabelecidas. Há exceções, mas clubes tradicionais são aprovados pelo MC dominante local. O clube tradicional de três patches não é necessariamente um clube 1%, um clube tradicionalista ou até mesmo o clube dominante.
Moto Clubes 1% fora da lei, conhecidos pelo mundo a fora como “Outlaw” Motorcycle Club
Você aprendeu a ficar fora de partes da cidade porque alguém lhe disse ou você aprendeu da maneira mais dura. Você tem a inteligência de não provocar um pitbull. Você aprendeu a andar de moto com segurança e por isso você deve aprender sobre o mundo que você escolheu fazer parte.
Não há escassez de matérias sensacionalistas publicadas na mídia sobre os chamados ”Outlaw” ou “1%” moto clubes. ”Outlaw bikers” tornou-se um fenômeno após a II Guerra Mundial, quando muitos combatentes retornando preferiu uma forma menos estruturada ou regulamentada da vida. Alguns deles formaram moto clubes, que habitavam a margem da sociedade dominante e, muitas vezes entrou em conflito com a lei. Desde sua chegada, barulhenta na cultura popular, a sociedade convencional teve um fascínio de amor e ódio com os “Outlaw” moto clubes.
Esta informação é para educá-lo sobre o estilo de vida “Outlaw” ou 1%. Primeiro, a probabilidade de alguém entrar em algum atrito com MC´s 1% é muito reduzida, a menos que você frequente suas sedes ou locais frequentados por eles e questione sobre sua filosofia “biker” ou faça algo que não está no protocolo de conduta “biker” e que este não está descrito em nenhum manual.
Raramente há um problema em um evento público, mas é sempre possível, pois os MC´s 1% são altamente territorialistas e o defendem a todo custo.
Existem duas versões para o surgimento do termo 1%. Em minhas pesquisas pude perceber maneiras diferentes de se tratar do assunto, uma mais sensacionalista por parte da imprensa aos olhos de jornalista que são pessoas de fora do meio e outra que é relato de pessoas do meio.
Durante um evento (Gypsy Tour) em 04 de julho de 1947 em Hollister, Califórnia, uma ruptura organizacional dentro da AMA, aparentemente, ocorreu em reação à cobertura da mídia sobre um pequeno incidente em Hollister.
Com a participação de integrantes de vários moto clubes, incluindo o Pissed Off Bastards of Bloomington (POBOB) e Boozefighters Motorcycle Club e alimentada por um número de membros de moto clubes as corridas transbordaram para a cidade de Hollister, onde os motociclistas, integrantes de moto clubes e não-membros, corriam com suas motos pelas ruas da pequena cidade e consumiam grandes quantidades de cerveja. A festa resultou em alguns danos menores como vitrines quebradas e pelo menos uma detenção por atentado ao pudor, mas não se aproximam do cerco que a revista life retratou.
O mito do quatro de julho de 1947 em Hollister pode ser atribuído a uma única pessoa. De acordo com testemunhas oculares, Barney Peterson, um fotógrafo do jornal San Francisco Chronicle foi o responsável pela infame foto de um motociclista bêbado apoiado em cima de uma motocicleta Harley-Davidson rodeado de garrafas de cerveja quebradas, segurando uma cerveja em cada mão com a insígnia do clube de forma proeminente exibido para a câmera. Enquanto a crônica da história inclui os fatos que motociclistas estavam correndo para cima e para baixo nas ruas de Hollister, bem como andar com suas motocicletas através de restaurantes e bares, palavras como “terrorismo” e “pandemônio” foram usados de forma exagerada. É importante notar aqui que o artigo do jornal San Francisco Chronicle não inclui todas as fotos de Hollister.
A AMA escreveu um artigo em sua revista, logo após, afirmando que “99% de todos os seus membros são cidadãos cumpridores da lei e apenas 1% são “fora da lei””. Isso, então, começou o que hoje é conhecido como “Outlaw” Motorcycle Clubs e um por cento. Clubes que não foram sancionados pela AMA e não membros da AMA foram proibidos de participar de eventos AMA.
Devido principalmente a falta de indivíduos que estejam vivos e em condições de servir como fontes históricas, a “verdade” do que realmente aconteceu em Hollister naquele quatro de julho de 1947 ainda tem de ser dita, e provavelmente nunca será. Na verdade, a maioria das fontes deste fim de semana infame deixa de incluir informações contextuais importantes, tais como o fato de Hollister já ter sediado uma Gypsy Tour em 1936.
Há relatos que isto começou muito antes. Originalmente 99% dos clubes no início pertenciam a FAM (Federação de Motociclistas Americanos) e 99% dos clubes mais tarde, eram membros da AMA, assim, aqueles que não pertenciam ficaram conhecidos como 1%.
1% mais tarde foi para significar um clube não sancionado pela AMA depois de 1924.
1% significa o mesmo que fora da lei e começou a ser usado pela revista Life onde publicou um artigo e uma fotografia encenada de um sujeito embriagado em uma motocicleta estacionada em um bar e o incidente foi apelidado de Motim Hollister.
Durante os anos 1940 e 1950, em comícios e encontros patrocinados pela AMA, prêmios foram concedidos para uniformes mais bonitos do clube, mais bonita motocicleta, e assim por diante. Alguns clubes, porém, rejeitou essa imagem e aprovou o "um por cento" e criaram um diamante em forma de patch 1% e usavam em suas jaquetas como um distintivo de honra. Vale salientar que o termo "um por cento" simplesmente significa que eles são comprometidos com a filosofia "biker", onde andar de moto não é apenas uma atividade de fim de semana, mas uma maneira de viver. Estes clubes afirmam que agências de aplicação da lei locais e nacionais têm cooptado o termo para pintá-los como criminosos.
Os moto clubes 1% emergem em uma escala tendo como suporte o surgimento dos “Moto Clubes Fora da Lei”. Para concretizar este nascimento, os clubes dominantes da época foram além. Observando a declaração atribuída a AMA, buscaram para si a responsabilidade de fazer parte daquele 1% que foi apontado em Hollister. Assim, criou uma organização sem regras explícitas, não alinhadas a AMA, ou seja, assumidamente “Moto Clubes Fora da Lei” e passaram a se identificar por meio de um emblema em forma de diamante com a inscrição 1%. Concordaram também em estabelecer limites geográficos ao qual cada clube de motocicleta teria autonomia. Não precisa ser nenhum entendedor do assunto para saber que essa união entre os 1% durou pouco tempo.
Durante o período entre 1948 e início dos anos 1960, moto clubes tido como Outlaw (ou seja, não filiadas AMA) começaram a surgir, como os Sons of Silence Motorcycle Club que começou no Centro-Oeste, os Bandidos Motorcycle Club, no Texas, os Pagans Motorcycle Club, na Pensilvânia, entre outros. No inicio desse período, alguns veteranos da II Guerra Mundial ex-membros do moto clube Pissed Off Bastards of Bloomington fundaram em 17 de Março de 1948 em San Bernardino, Califórnia, o Hells Angels Motorcycle Club (HAMC). O Hells Angels de hoje foi formado por Ralph “Sonny” Barger em Oakland, Califórnia em 1957 e hoje são considerados o maior clube 1% no mundo.
Moto clubes 1% são referidos como MC tradicionais, eles diferem muito dos clubes menos comprometidos, que são muitas vezes referidos como MG, MT, MA.
O símbolo dominante de um por cento é o diamante, e um clube que não exibir esse símbolo em suas cores, definitivamente não é uma organização de um por cento. Este patch em forma de losango, com o texto “um por cento” ou o símbolo alfanumérico “1%” bordado no centro, é geralmente exibido na lapela esquerda do colete, sobre o coração, no entanto, não é tido como regra. O símbolo de um por cento utiliza as duas cores dominantes no esquema de cores do clube, por exemplo, o Heaven and Hell MC incorpora em seu diamante um fundo preto com letras vermelhas, que são as cores predominantes do clube.
1% pode ser resumido da seguinte forma: as exigências do clube são superiores às necessidades do indivíduo, que inclui a família, a profissão e até mesmo sua moto. Os membros de um MC 1% são ferozmente leais a suas cores e as defendem sob qualquer circunstância bem como seus irmãos de clube. Sua atitude em defender seu irmão não se baseia em fatos e sim em atos, esteja certo ou não sempre irá defender seu irmão com o sangue se precisar.
Para se tornar um integrante de um MC 1% não é uma tarefa fácil. Muitos nunca vão usar o diamante de 1% e apenas os homens podem se juntar a um clube de 1%. O processo de prospecção é mais do que a vontade de ser 1%, a maioria dos homens pode ter mais nunca conseguirá. Eliminando assim a invasão do clube de um possível elo fraco e podendo assim enfraquecer o clube todo.
Tem que ter muita vontade e disposição, se for fraco vai ficar pelo caminho.
Existem também os chamados clubes 99% que são clubes formados por policiais, militares, bombeiros (ou uma combinação deles) conhecidos nos EUA com clubes LEMC (Law Enforcement Motorcycle Club). Um LEMC autêntico consiste em pelo menos 75% de membros aplicadores da lei e cada Diretor no Clube é um oficial da lei.
Opinião: O símbolo 1% não tem dono, não tem alguém que lhe conceda este “status”. A sua história, fato de seu surgimento e o que ele representa hoje é quem vão determinar quem pode usar este símbolo.
Fontes retiradas de várias publicações sobre o assunto na internet, livros, relatos de pesquisadores e alguns dados de conhecimento pessoal.
Paulo “Paulista”
Heaven and Hell 1%er Motorcycle Club
Rio de Janeiro, Brasil.
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